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Você já sentiu que suas viradas de bateria, por mais rápidas ou precisas que sejam, soam sempre… iguais? Se você busca uma forma de quebrar a previsibilidade e adicionar uma camada de sofisticação e surpresa ao seu som, está no lugar certo. A resposta pode estar em trabalhar viradas usando grupos irregulares.
Muitos bateristas se sentem presos às subdivisões padrão de semicolcheias ou tercinas. No entanto, explorar grupos de 5, 7 ou 9 notas pode transformar completamente seu fraseado rítmico. Nos próximos parágrafos, vamos desmistificar esse conceito e entregar um passo a passo prático para você começar a aplicar essa técnica poderosa hoje mesmo.
Grupos irregulares, também conhecidos como quiálteras ou tuplets, são agrupamentos rítmicos que dividem o tempo de uma maneira não convencional. Em vez de dividir um pulso em 2, 4 ou 8 (padrão binário) ou em 3 ou 6 (padrão ternário), eles usam números primos como 5, 7, 9 ou 11, criando uma sensação única de tensão e resolução.
Pense assim: em um tempo de semínima, onde você normalmente tocaria 4 semicolcheias, um grupo irregular permite que você toque 5 (quintuplet/quintina) ou 7 (septuplet/septina) notas no mesmo espaço de tempo. Essa compressão rítmica é o que gera o efeito de aceleração e complexidade, mesmo quando tocada em um andamento moderado.
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Incorporar grupos irregulares em seu vocabulário não é apenas um truque técnico; é uma ferramenta de expressão musical. Eles permitem que você crie frases que fluem sobre a barra de compasso (over the barline), adicionando um sabor polirrítmico que captura a atenção do ouvinte e eleva a energia da música.
Bateristas icônicos como Vinnie Colaiuta, Gavin Harrison e Marco Minnemann são mestres nessa arte. Eles usam esses grupos para construir viradas que são ao mesmo tempo complexas e incrivelmente musicais. Adotar essa técnica significa ter mais recursos para contar uma história rítmica, saindo do óbvio.
Para começar a trabalhar viradas usando grupos irregulares, não é preciso decorar fórmulas complexas. O segredo é internalizar a sonoridade e a sensação dos grupos mais comuns: as quintinas (grupos de 5) e as septinas (grupos de 7).
A quintina consiste em tocar 5 notas no espaço de tempo que normalmente seria ocupado por 4 notas (como 4 semicolcheias). A chave é manter o pulso principal constante enquanto as 5 notas são distribuídas uniformemente dentro dele.
⚡ Dica de Estudo: Programe um metrônomo em um andamento lento (ex: 60 BPM). Para cada clique, toque 5 notas com as mãos na caixa ou em um pad de estudo. Uma digitação comum é D-E-D-E-D ou D-E-D-E-D | E-D-E-D-E para alternar a mão que lidera.
Seguindo a mesma lógica, a septina encaixa 7 notas no espaço de 4. A sensação é de ainda mais aceleração e fluidez. A complexidade aumenta, mas a recompensa sonora é enorme, ideal para viradas mais longas e dramáticas.
⚡ Dica de Estudo: Com o metrônomo, tente tocar 7 notas por clique. Uma digitação útil é D-E-D-E-D-E-D. Acentos na primeira nota de cada grupo ajudarão a manter a clareza.
Agora que você entendeu o conceito, é hora de levar para o kit. Lembre-se: comece devagar. A precisão é mais importante que a velocidade nesta fase.
Pegue os padrões de quintinas e septinas que você praticou no pad e distribua as notas entre as peças da bateria. Isso é chamado de orquestração.
Adicionar o bumbo pode ancorar a virada e criar padrões ainda mais interessantes. Substitua uma das notas tocadas com as mãos por um toque no bumbo.
O objetivo final é usar esses grupos para criar viradas musicais. Comece com preenchimentos curtos, ocupando apenas um ou dois tempos do compasso.
Imagine um compasso 4/4. Toque um groove simples nos três primeiros tempos e, no quarto tempo, execute uma quintina. A sensação de surpresa antes do retorno ao tempo 1 do compasso seguinte é o que torna essa técnica tão eficaz.
Como disse o lendário baterista Vinnie Colaiuta: ‘Não se trata de matemática, trata-se de como soa. A teoria apenas explica por que soa bem’.
É natural encontrar alguns obstáculos ao explorar este novo território rítmico. Antecipar os erros mais comuns pode acelerar seu progresso.
Para te ajudar a organizar sua prática, siga este checklist simples:
Use-as para criar transições ou destacar seções da música. Elas funcionam bem em finais de refrão, antes de um solo ou em seções instrumentais onde a bateria tem mais liberdade. O mais importante é ouvir a música e sentir onde uma frase mais complexa pode agregar valor.
Não é estritamente necessário, mas ajuda muito. A notação musical oferece uma representação visual clara de como os grupos se encaixam no tempo. Se você não lê, pode aprender ouvindo e imitando gravações, mas o processo pode ser mais lento.
Além dos já citados Vinnie Colaiuta, Gavin Harrison e Marco Minnemann, ouça também bateristas como Chris Coleman, Matt Garstka (Animals as Leaders) e Anika Nilles. Eles aplicam esses conceitos de forma magistral em diferentes estilos musicais.
Absolutamente! Embora seja mais associada ao fusion e ao prog, uma quintina bem colocada pode adicionar um toque moderno e inesperado a uma música pop. A chave é a moderação e o bom gosto. Uma pequena frase irregular pode fazer uma grande diferença sem descaracterizar o estilo.
Aprender a trabalhar viradas usando grupos irregulares é como descobrir novas cores para pintar um quadro. É uma jornada que exige paciência e estudo dedicado, mas que recompensa com um nível de liberdade e expressão rítmica que poucos bateristas alcançam.
Não veja isso como um desafio matemático, mas como uma ferramenta para tornar sua voz na bateria mais rica, articulada e emocionante. Comece hoje, com calma, seguindo os exercícios deste guia. Grave seu progresso, ouça suas referências e, acima de tudo, divirta-se descobrindo as infinitas possibilidades que se escondem entre os pulsos. Sua bateria (e sua banda) agradecerão.
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