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Sim, a regulagem influencia diretamente no volume acústico do seu instrumento, e o impacto é muito maior do que a maioria dos músicos imagina. Você já sentiu que seu violão, antes vibrante e cheio, agora soa um pouco ‘abafado’ ou sem vida, mesmo com cordas novas?
A resposta pode não estar na madeira ou no formato do corpo, mas em ajustes milimétricos que governam a física do seu som. Nos próximos parágrafos, vamos desvendar como a altura das cordas, o contato do rastilho e a tensão do braço podem ‘silenciar’ ou, ao contrário, ‘libertar’ a verdadeira voz do seu instrumento. Prepare-se para descobrir por que a regulagem é o segredo dos timbres mais poderosos.
Muitos músicos associam a regulagem (ou ‘setup’) apenas à ‘tocabilidade’ — o quão macio e confortável um instrumento é de tocar. Embora isso seja fundamental, a regulagem é um processo muito mais profundo. Ela consiste em um conjunto de ajustes finos que otimizam a relação entre todas as partes do instrumento para garantir que ele funcione no seu máximo potencial, tanto em conforto quanto em som.
Pense no seu instrumento como um sistema de transferência de energia. A energia começa quando você toca a corda, e o objetivo é transferir o máximo dessa vibração para o tampo, que atua como um amplificador natural. Uma regulagem malfeita cria ‘gargalos’ nesse caminho, desperdiçando energia e, consequentemente, volume.
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O ajuste mais famoso e que tem o impacto mais direto no volume é a altura das cordas, conhecida como ‘ação’. A distância entre as cordas e os trastes define a amplitude com que elas podem vibrar. Aqui, a física é clara: quanto mais espaço a corda tem para se mover, maior a amplitude da sua vibração, resultando em mais volume.
Uma corda que vibra livremente desloca mais ar e transfere mais energia cinética para o rastilho e, por sua vez, para o tampo do instrumento. É por isso que um ajuste aparentemente simples pode transformar um som tímido em um som que preenche o ambiente.
Aqui entramos no principal dilema de todo músico. Qual é o ajuste ideal? A verdade é que não existe uma única resposta, pois tudo depende de um equilíbrio.
⚡ Dica de Luthier: O segredo não é escolher um extremo, mas encontrar o ‘ponto doce’ onde você tem o máximo de volume possível sem sacrificar o conforto necessário para o seu estilo de tocar. Um bom luthier ajusta a ação de forma personalizada para você.
Se as cordas são a fonte do som, o rastilho (a peça branca na ponte) e a pestana (a peça no início do braço) são as pontes que levam essa vibração adiante. A qualidade do contato dessas peças com as cordas e com o corpo do instrumento é crítica para o volume final.
Um rastilho mal encaixado na ponte, por exemplo, cria um ‘vazio’ que impede a transferência total da vibração para o tampo. Mesmo que a corda vibre intensamente, parte dessa energia se perde no caminho. Materiais mais densos e de alta qualidade, como o osso, são conhecidos por transmitir as vibrações de forma muito mais eficiente do que o plástico comum, resultando em um som mais alto, claro e com mais harmônicos.
Dois outros elementos da regulagem são frequentemente esquecidos quando se fala de volume, mas têm um papel fundamental: o tensor e o tipo de encordoamento.
O tensor é a alma metálica dentro do braço do instrumento, responsável por controlar sua curvatura. Um braço muito côncavo aumenta a ação no centro da escala, o que pode até gerar mais volume, mas torna o instrumento desconfortável. Já um braço reto demais ou convexo aproxima as cordas dos trastes, causando trastejamento e matando o volume. O ajuste correto do tensor garante uma curvatura leve e ideal (‘relief’), que permite a vibração livre da corda em toda a extensão do braço.
O calibre (espessura) das cordas também é um fator decisivo. Cordas de calibre mais grosso possuem mais massa e exercem maior tensão sobre o tampo. Essa combinação faz com que elas movimentem mais ar ao vibrar e transfiram uma quantidade maior de energia, resultando em um volume acústico naturalmente mais alto. Se você sente que seu instrumento está com pouco volume, experimentar um encordoamento de calibre ligeiramente superior (por exemplo, passar de .011 para .012 em um violão de aço) pode ser uma solução simples e eficaz, desde que o instrumento seja regulado para essa nova tensão.
No mundo da música, muitas informações são passadas de músico para músico e acabam virando ‘lendas’. Vamos esclarecer alguns pontos sobre regulagem e volume.
Você já se perguntou se o seu instrumento poderia estar soando mais alto? Faça esta verificação rápida:
Se você notou algum desses pontos, uma visita a um luthier de confiança pode transformar completamente o som do seu instrumento.
Dobrar é um termo forte, mas a diferença pode ser surpreendente. Em um instrumento com a regulagem muito ruim (cordas muito baixas, rastilho de plástico mal ajustado), uma regulagem profissional pode aumentar a projeção sonora de forma drástica, dando a percepção de um volume muito maior e um som mais ‘vivo’.
Não há um número mágico, mas como ponto de partida para violões de aço, uma ação em torno de 2.5mm na 6ª corda e 2.0mm na 1ª corda (medidas no 12º traste) é um bom equilíbrio entre volume e conforto. Músicos de estilos que exigem mais ‘pegada’, como bluegrass, costumam usar ações ainda mais altas.
Sim, e muita! O osso é um material mais denso e ressonante que o plástico. Ele transfere as vibrações das cordas para o tampo com muito mais eficiência, resultando em um aumento perceptível de volume, clareza e sustentação das notas.
O ideal é fazer um check-up completo com um luthier pelo menos uma vez por ano. Mudanças de estação (umidade e temperatura) afetam a madeira e podem desregular o instrumento. Se você toca com muita frequência ou viaja com o instrumento, verificações a cada seis meses são recomendadas.
Sim! Embora tenham captação elétrica, o timbre acústico das guitarras semi-acústicas é uma parte essencial de seu caráter. Todos os princípios de transferência de vibração se aplicam, e uma boa regulagem melhora tanto o som desplugado quanto a ressonância que é captada pelos captadores, tornando o timbre elétrico mais rico.
A resposta é um retumbante sim: a regulagem influencia, e muito, no volume acústico do seu instrumento. Desde a altura das cordas até o material do rastilho, cada detalhe funciona em conjunto para permitir que a energia da sua performance seja convertida em som. Negligenciar a regulagem é como tentar correr com os sapatos desamarrados — você até chega lá, mas com muito mais esforço e sem atingir seu potencial máximo.
Seu instrumento é uma extensão da sua voz musical. Investir em uma regulagem profissional não é um custo, mas um investimento na qualidade do seu som e na sua inspiração. Leve seu instrumento a um luthier, converse sobre seu estilo e prepare-se para ouvir o som poderoso que ele sempre foi capaz de produzir.
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