
Projetada originalmente no verão de 1985 por Elias Cadeth (Stage-Name atual > Eliyahu Cad), Edson Lameira, Miguel Fortunato e Daniel Augusto (amigos de escola), foi somente no início de 1989 que o projeto O Orador pôde sair do papel.
Eliyahu, que já havia atuado como guitarrista em uma banda punk (Desesperados/1986-1987), e outra de jazz-rock (Ácido Cítrico/1988), resolveu retomar seu projeto pessoal, convidando o baixista Gerson Guimarães (amigo pessoal/banda Iconoclastas), e o baterista Marcelo Cidrin, para com ele comporem a primeira formação efetiva da banda O Orador:
Eliyahu Cad (guitarra e voz),
Gerson Guimarães (baixo),
Marcelo Cidrin (bateria).
O Orador fez seu debute em setembro daquele ano, na primeira edição do festival Independência ou Rock, do produtor Sérgio Machado.
O som da banda, que transitava com liberdade por várias vertentes, seria seu ponto de distinção, dado que seus pares do mesmo período tinham suas linhas bem definidas, prioritariamente no rock.
Em 1990 a formação da banda sofreria sua primeira alteração, vindo Flavio Fabianni para a bateria, e Alvaro Portugal para o sax e backing vocal.
Com essa formação a banda gravou seu primeiro single – São Sebastião – uma black-music estilo Benjor que entrou para a programação das rádios Belém FM e Cultura FM, fazendo com que a banda ganhasse amplitude no cenário musical belenense.
Em 1991, porém, seria a vez de Gerson Guimarães deixar a banda, tendo seu posto ocupado pelo baixista André Mattos, amigo de Alvaro Portugal.
A essa altura, tendo como sala de ensaio um dos points roqueiros da cidade, o Bar Celeste (de propriedade do baixista/setentista, Rollo), o Orador já percorria o circuito musical da cidade, e as páginas culturais, telejornais, além de programas de rádio e TV.
A banda crescia a passos largos quando, em 1992, outra reformulação aconteceu com a saída do baterista Flavio Fabianni.
Os irmãos Bob e Regg Shinkai (respectivamente guitarrista e baterista), egressos de outra banda de rock local – A Tribo –, foram convidados para essa nova composição da banda.
Como quinteto, com Eliyahu agora cantando com um violão no lugar da guitarra, O Orador ganharia um vigor mais acentuado ao rock, com as guitarras de Bob Shinkai.
Os shows da banda praticamente dobraram em 1992, resultando em sua inclusão no cast da Secretaria de Cultura, o que os levaria a teatros e eventos institucionais, além de casas noturnas e festivais de verão.
Era hora de escolher mais uma música do set da banda para novo single. A escolhida foi América, um pop-rock tipicamente britânico, que dava bem o tom daquela nova fase.
Aquele foi um ano tão promissor para os Oradores, que a banda teve seu nome confirmado para as 3 edições (2 em 1992 e 1 em 1993) do Rock 24 Horas, do diretor de teatro e produtor cultural Fernando Rassi.
1993 foi o ano da quase-morte do rock no Pará.
Por conta da pancadaria generalizada (no início da madrugada) que pôs fim ao Rock 24 Horas, em sua terceira edição, o fluorescente rock paraense perderia a simpatia e o apoio da mídia local, assim como da Secretaria de Cultura, entrando numa era glacial que levou embora boa parte das grandes promessas roqueiras locais, em âmbito nacional.
O degelo chegou para O Orador em 1997.
Com:
Eliyahu no violão e voz,
Gerson Guimarães de volta ao baixo,
Eliezer Cadeth (irmão de Eliyahu) na guitarra,
Ricardo Ramones na bateria,
A banda voltaria à cena local com uma sonoridade ainda mais madura.
Redesenhada nas guitarras – ora viscerais, ora delicadas – de Eliezer, e a bateria pesada e técnica de Ramones, novas e velhas canções foram vestidas com arranjos mais conceituais, que tinham como prioridade tornar mais enfáticos o texto e o contexto de cada música.
Tudo estava tão bem resolvido, com o volume de shows e abertura na mídia local recuperados, que 3 anos mais tarde (em 2000) a banda entraria em estúdio para gravar seu primeiro álbum – Fevereiro, com o qual cumpriria sua primeira agenda longe de casa: Recife e São Paulo.
Demandas pessoais levariam a um novo recesso em 2007, que desta vez duraria 15 anos.
No segundo semestre de 2022, Eliezer, Eliyahu e Gerson começaram a trocar ideias sobre se reunirem mais uma vez, no home-studio de Eliezer, para regravarem o primeiro álbum da banda – Fevereiro.
Os diálogos avançaram, a velha interação foi reconstituída, e o que era pra ser apenas a regravação do primeiro álbum evoluiu para o retorno da banda, agora com Yan Cadeth (filho de Eliezer) na bateria.
A gravação de um novo álbum – 3954 – para celebrar a história da banda, foi apenas uma consequência natural.
Novos elementos foram trazidos para a sonoridade da banda, como fragmentos da:
órbita eletrônica,
do folk,
do erudito,
do ambiente, entre outros.
A velha liberdade de trânsito sonoro continua sendo a marca da banda.
Os cinquentenários Eliyahu, Gerson e Eliezer, encontraram no vigor juvenil da bateria de Yan o quarto elemento, perfeito, para essa retomada.
O Orador 2024 é uma banda turbinada pela experiência e maturidade de sua nova/velha formação.
Eliezer Cadeth - Guitarra
Elias Cadeth - Voz e Violão
Yan Cadeth - Bateria
Gabriel Cadeth - Baixo
O ORADOR
Belém, PA, Brasil