
Martinho Jorge - Sou afilhado de Martinho da Vila e Anália, e um dos fundadores do tradicional bloco carnavalesco Embaixadores da Folia, no Rio de Janeiro, que hoje chega a reunir dezenas de milhares de pessoas, com mais de 20 anos de existência. No repertório sambas clássicos, músicas alegres, que remontam aos bons tempos em que a letra e a música eram uma verdadeira poesia nas mãos de Cartola, Nelson Cavaquinho, Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, entre outros sambas antológicos do imaginário brasileiro.
Por onde passei levei um pouco de alegria, pelas vias do samba, mas não um samba qualquer: o que me inspira é aquele que nasce dos quilombos, das comunidades, da ancestralidade e que atravessou gerações, pelas canetas dos poetas do morro e pelos batuques dos meninos de pés no chão. O samba raiz, samba tradição, o partido alto e o resgate dos clássicos, isso move minhas perspectivas e aciona o reluzente cenário dos mestres que nos guiam até hoje.
Comecei a cantarolar em casa, aos dez anos de idade, nas reuniões de família, onde os batuques nas latas, nas mesas, nas panelas e caixas de fósforo davam o ritmo da alegria dos encontros das famílias negras.
E como eu gostava de cantar e sabia todos os sambas, passava a ser uma atração à parte. Meu avô já prenunciava: "esse moleque vai ser músico". Aos 14 anos comecei a tocar repique de mão, introduzido no samba pelo Ubirany do Fundo de Quintal, uma novidade que agitou minha adolescência: meu primeiro instrumento.
São Paulo, SP, Brasil