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Você já se sentiu travado na bateria, com os braços cruzados limitando seus movimentos e sua criatividade? Se você busca mais fluidez, conforto e novas possibilidades sonoras, precisa conhecer o open handed playing. Essa não é apenas uma técnica; é uma nova filosofia de se sentar ao instrumento.
Muitos bateristas passam anos tocando da maneira tradicional, sem perceber que uma simples mudança de posicionamento pode destravar um potencial incrível. Nos próximos parágrafos, vamos desvendar o que é o open handed playing, por que tantos bateristas lendários o adotaram e como você pode começar a implementá-lo hoje mesmo para transformar sua forma de tocar.
Open Handed Playing, ou tocada com a mão aberta, é uma técnica de bateria onde o músico não cruza os braços para tocar o chimbal (hi-hat) e a caixa simultaneamente. Em vez disso, a mão que conduz o ritmo (geralmente no chimbal ou ride) e a mão que toca a caixa operam em seus respectivos lados do kit, de forma livre e independente.
No método tradicional (crossed-handed), um baterista destro normalmente cruza o braço direito sobre o esquerdo para tocar o chimbal, que fica à esquerda. No open handed, esse mesmo baterista posicionaria o chimbal ou um ride à direita, permitindo que a mão direita conduza o ritmo sem cruzar sobre a esquerda, que fica livre para a caixa. O oposto se aplica a bateristas canhotos.
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Adotar o open handed playing vai muito além da estética. As vantagens práticas impactam diretamente sua ergonomia, criatividade e resistência. Você já se imaginou tocando por horas com mais conforto e explorando fills que antes pareciam impossíveis?
Tocar com os braços cruzados por longos períodos pode gerar tensão nos ombros, costas e pulsos. A postura aberta do open handed é mais natural e ergonômica, promovendo um alinhamento corporal melhor e reduzindo o risco de lesões por esforço repetitivo (LER). É tocar de forma mais inteligente, não mais difícil.
Com a mão da caixa livre, o acesso aos tons e outros elementos do kit se torna imediato. Isso abre um leque de possibilidades para fills, ghost notes e interações rítmicas que são mais complexas na posição cruzada. Sua criatividade não fica mais ‘presa’ debaixo do outro braço.
A técnica força seu cérebro a desenvolver uma nova relação de independência entre os membros. A mão que antes era ‘apenas’ da caixa agora pode assumir papéis de condução, e vice-versa. Isso resulta em um avanço significativo na sua coordenação motora geral, tornando-o um músico mais completo.
Ao tocar o chimbal com a mão dominante (para destros, a direita) sem o obstáculo do outro braço, você ganha mais espaço para movimentar o pulso e o braço. O resultado? Um som de chimbal mais articulado, com mais nuances e uma pegada potencialmente mais forte e consistente quando necessário.
O open handed te liberta da configuração padrão. Ele incentiva a experimentação com a posição de pratos, tons e elementos de percussão. Bateristas como Carter Beauford e Simon Phillips são mestres em criar kits personalizados que só fazem sentido dentro da lógica open handed.
Como toda técnica que desafia o tradicional, o open handed é cercado de mitos. Esclarecer esses pontos é fundamental para que você possa começar sua jornada sem medos ou informações equivocadas.
Este é o maior mito de todos. Embora muitos bateristas canhotos achem natural tocar em kits de destro de forma aberta, a técnica é uma ferramenta poderosa para qualquer baterista, destro ou canhoto, que busca mais liberdade ergonômica e criativa.
Inicialmente, pode haver um período de adaptação, mas o objetivo não é ‘enfraquecer’ sua mão forte. Pelo contrário, é fortalecer sua mão mais fraca, tornando ambas mais equilibradas e versáteis. Com a prática, você terá duas mãos fortes e capazes de executar qualquer função no kit.
A transição para o open handed não precisa ser radical. O erro mais comum é tentar mudar toda a sua forma de tocar da noite para o dia. O ideal é uma transição gradual, começando com exercícios simples e aplicando a técnica em uma ou duas músicas no ensaio, até que se torne natural.
Pronto para experimentar? A transição pode ser mais suave do que você imagina se seguir uma abordagem estruturada. Lembre-se do que o mestre Billy Cobham, um dos pioneiros da técnica, representa: a busca pela inovação.
A bateria não é sobre bater, é sobre fazer música. O open handed é uma ferramenta para expandir seu vocabulário musical.
Você não precisa comprar um kit novo. Comece com uma mudança simples: se você é destro, mova seu prato de condução (ride) para a esquerda, acima do chimbal, ou posicione um segundo chimbal (ou um x-hat) à sua direita. Isso permite que sua mão direita conduza o ritmo enquanto a esquerda fica livre na caixa.
Sente-se ao kit e pratique os rudimentos mais simples que você já conhece, mas com a condução na mão ‘nova’.
⚡ Dica de Estudo: Toque um single stroke roll (toque simples) bem lento entre a mão que conduz (no ride ou chimbal à direita) e a mão da caixa. O objetivo é a consistência, não a velocidade.
Concentre-se em levadas básicas. Toque um ritmo de rock simples (bumbo no 1 e 3, caixa no 2 e 4) conduzindo o chimbal com a mão esquerda e a caixa com a direita (se for canhoto). Para destros, conduza no ride à direita com a mão direita e caixa com a esquerda. Sinta a liberdade e comece a adicionar pequenas variações.
Observar os mestres é uma das melhores formas de aprender e se inspirar. Muitos dos bateristas mais influentes do mundo são adeptos do open handed playing, cada um com sua abordagem única:
Ao iniciar sua jornada no open handed, mantenha estes pontos em mente para garantir uma transição eficaz e saudável:
Tocar como canhoto em um kit de destro é UMA das formas de open handed playing, onde o músico conduz com a mão esquerda no chimbal. No entanto, um baterista destro também pode tocar open handed, geralmente movendo o ride ou um segundo chimbal para o lado direito do kit para conduzir com a mão direita, mantendo a mão esquerda livre na caixa.
O tempo de adaptação varia para cada músico. Depende da sua dedicação e da complexidade do seu estilo. Alguns bateristas se sentem confortáveis com o básico em algumas semanas, enquanto a maestria total pode levar meses ou anos de prática consistente. O segredo é a paciência e a prática regular.
Não. Você pode começar a praticar em qualquer kit padrão. A principal mudança é o reposicionamento de peças que você já possui, como mover seu prato de condução ou adicionar um clamp para um chimbal auxiliar. A técnica é sobre o músico, não sobre o equipamento.
Sim! Do rock ao jazz, do funk ao metal, o open handed playing é uma abordagem versátil. A liberdade de movimento e o acesso facilitado a todas as peças do kit podem enriquecer a performance em qualquer gênero musical, permitindo novas dinâmicas e possibilidades rítmicas.
O open handed playing é muito mais do que uma simples alternativa à forma tradicional de tocar. É um convite para repensar sua relação com o instrumento, quebrando barreiras físicas e criativas para alcançar um novo patamar de expressividade e conforto.
Ao adotar essa técnica, você não está apenas mudando a posição das mãos; está abrindo a porta para uma coordenação mais apurada, uma ergonomia mais saudável e uma liberdade que irá refletir em cada batida. Desafie-se, experimente, seja paciente e descubra o baterista mais versátil e criativo que existe dentro de você. O próximo ensaio pode ser o início da sua revolução pessoal na bateria.
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