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Sentir o ritmo travado ao tentar tocar tercinas ou quiálteras é uma frustração comum para muitos bateristas. Você sente o pulso, mas na hora de encaixar essas subdivisões ímpares, parece que algo se perde no caminho. Se você já se viu nessa situação, saiba que a solução está mais na estratégia de estudo do que na velocidade. Nos próximos parágrafos, você vai descobrir um método claro e prático para não apenas entender, mas realmente internalizar essas figuras rítmicas e destravar sua criatividade na bateria.
Em música, subdivisão é a ação de dividir o pulso principal (a batida que você marca com o pé) em partes menores e iguais. As subdivisões mais comuns, como colcheias (duas notas por tempo) e semicolcheias (quatro notas por tempo), são baseadas em divisões pares, que nosso cérebro processa com mais naturalidade. O verdadeiro desafio, e onde a mágica acontece, está nas subdivisões ímpares.
Tercinas (três notas por tempo) e quiálteras (cinco notas por tempo) quebram essa lógica binária. Elas criam uma tensão rítmica, um swing e uma complexidade que enriquecem qualquer groove. O desafio é que elas exigem que seu cérebro e seus membros aprendam a sentir o tempo de uma forma diferente, distribuindo um número ímpar de notas dentro de um espaço que geralmente é preenchido por um número par. Dominar isso é o que separa um baterista bom de um baterista excepcional.
Pense no metrônomo não como um carrasco, mas como seu parceiro de treino mais honesto. Para treinar subdivisões, ele é inegociável. A chave não é apenas ligá-lo, mas usá-lo de forma inteligente para construir uma base sólida e um pulso interno inabalável. Sem ele, é quase impossível saber se suas tercinas estão realmente precisas ou apenas próximas do correto.
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Comece sempre em andamentos lentos, entre 50 e 70 BPM. Isso lhe dá tempo para pensar, contar e executar cada nota com clareza. O objetivo inicial não é velocidade, mas perfeição na execução. À medida que você se sentir confortável, aumente o BPM de 5 em 5. Essa progressão gradual solidifica a memória muscular sem criar vícios.
⚡ Dica de Estudo: Utilize aplicativos de metrônomo que permitem programar as subdivisões. Ferramentas como o Soundbrenner ou o Pro Metronome podem tocar a tercina ou a quiáltera junto com o clique, ajudando seu ouvido a se acostumar com a sonoridade correta.
As tercinas são a porta de entrada para o mundo das subdivisões ímpares e são fundamentais em estilos como o Blues, Jazz e Rock. A sensação rítmica da tercina é a base do famoso shuffle. A melhor forma de internalizá-las é começando pela contagem vocal.
Para cada clique do metrônomo, vocalize 1-e-a, 2-e-a, 3-e-a, 4-e-a. Essa contagem divide o tempo em três partes iguais e é o primeiro passo para o seu corpo entender o que precisa fazer.
Com o metrônomo em 60 BPM, comece em um pad de estudo ou na caixa da bateria. Toque uma nota para cada sílaba que você vocaliza. Use um padrão de mãos simples, como Direita-Esquerda-Direita (D-E-D) para a primeira tercina e Esquerda-Direita-Esquerda (E-D-E) para a segunda, e assim por diante. O foco aqui é a consistência no espaçamento entre as notas.
Uma vez que o exercício anterior esteja soando limpo, comece a brincar com os acentos. Toque a primeira nota de cada tercina mais forte, depois a segunda, e depois a terceira. Isso desenvolve o controle de dinâmica. Em seguida, comece a orquestrar as tercinas, movendo as notas pelo kit: uma nota na caixa, uma no tom 1, uma no surdo. As possibilidades são infinitas e transformam um exercício técnico em música.
Agora, vamos ao que interessa: aplicar no som da banda. Um groove de shuffle clássico é construído sobre a tercina. Toque o chimbal seguindo o padrão tocado-fantasma-tocado, onde a primeira e a terceira nota da tercina são tocadas e a do meio é suprimida ou tocada como uma nota fantasma. Combine isso com a caixa nos tempos 2 e 4 e o bumbo no 1 e 3. Você acabou de criar um dos grooves mais importantes da história da música.
Se as tercinas adicionam swing, as quiálteras adicionam uma camada de sofisticação e modernidade. Comuns no Fusion, Prog Rock e Jazz moderno, as quiálteras (grupos de cinco notas por tempo) podem parecer intimidantes no início, mas o processo para dominá-las é o mesmo.
👉 Truque de Estúdio: A contagem vocal é ainda mais crucial aqui. Uma das formas mais comuns de vocalizar quiálteras é usando uma palavra de cinco sílabas como U-ni-ver-si-da-de ou Hi-pó-po-tá-mo para cada clique do metrônomo.
Comece novamente no pad de estudo, com o metrônomo em um andamento muito lento (50-60 BPM). O padrão de mãos (sticking) mais comum para quiálteras é D-E-D-E-D | E-D-E-D-E ou variações como D-D-E-D-E. O objetivo é que as cinco notas se encaixem perfeitamente no espaço de um tempo, sem acelerar ou atrasar. Grave a si mesmo para verificar a precisão.
Quando as mãos estiverem confortáveis, comece a integrar os pés. Um exercício poderoso é tocar as quiálteras com as mãos na caixa enquanto mantém um pulso constante de semínima no bumbo e no chimbal (com o pé). Isso desenvolve a independência e a coordenação necessárias para aplicar essas subdivisões em fills e grooves complexos. Músicos como Vinnie Colaiuta e Marco Minnemann são mestres nessa aplicação.
Dominar a arte de treinar subdivisões envolve também conhecer os atalhos que, na verdade, atrasam seu progresso. Fique atento a estes erros comuns para garantir que seu tempo de estudo seja o mais eficiente possível.
Para garantir que cada sessão de estudo conte, siga este checklist prático. Ele transforma a prática aleatória em um treino deliberado e focado, que gera resultados muito mais rápidos.
Tecnicamente, o termo tercina se refere a três notas que ocupam o tempo de duas da mesma figura (ex: três colcheias no tempo de duas). Tresquiáltera é um termo mais amplo para qualquer agrupamento de três. No contexto prático da bateria, os termos são frequentemente usados de forma intercambiável para se referir a três notas em um tempo.
Não é obrigatório ser um expert em teoria, mas entender o conceito básico de pulso e divisão de tempo ajuda imensamente. A contagem vocal e o uso do metrônomo são, na prática, a aplicação da teoria. Você não precisa ler partituras para começar, mas o conhecimento teórico certamente acelera o processo.
Elas são uma marca registrada de estilos que exigem alta proficiência técnica e criatividade rítmica, como o Jazz Fusion, Rock Progressivo, Metal Progressivo e alguns gêneros da música latina. Bateristas como Gavin Harrison (Porcupine Tree) e Mike Portnoy (ex-Dream Theater) são conhecidos pelo uso criativo de quiálteras.
Consistência é mais importante que quantidade. 15 a 20 minutos de estudo focado e diário trarão mais resultados do que duas horas uma vez por semana. A prática deliberada, mesmo que curta, constrói a memória muscular e a compreensão rítmica de forma muito mais eficaz.
Dominar tercinas, quiálteras e outras figuras rítmicas complexas é uma jornada de paciência e precisão. Lembre-se que cada exercício no metrônomo não é apenas um treino técnico; é um passo em direção à liberdade total de expressão na bateria. Ao treinar subdivisões de forma consistente, você não está apenas aprendendo a tocar notas, mas a controlar o tempo e a emoção da música. Agora, pegue suas baquetas, ajuste o metrônomo e comece a transformar seu ritmo, uma subdivisão de cada vez.
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